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CONFIRA ENTREVISTA DO COORDENADOR TÉCNICO DO BOCA JUNIORS, JOSÉ MALLEO

Publicado em 5/10/2017


CONFIRA ENTREVISTA DO COORDENADOR TÉCNICO DO BOCA JUNIORS, JOSÉ MALLEO

Ex-treinador de futebol fala sobre a carreira de treinador, futebol atual e até de Neymar

O coordenador técnico das divisões de base do Boca Juniors, José Malleo, esteve recentemente no Brasil onde realizou o processo de Avaliação Técnica em algumas das unidades da rede de Escolas de Futebol do clube.

Malleo iniciou sua carreira como treinador das divisões de base do Rosário Central em 1984. Dez anos depois, tornou-se treinador do Argentino, de Rosário, conquistando o acesso à primeira divisão. O feito foi repetido com o Almagro e, também, com o Defensa y Justicia. Hoje, após 19 anos no clube xeneize, assumiu o trabalho de captação de jovens talentos para a base, depois de ter sido treinador.

A seguir, confira como foi o bate papo com o experiente José Malleo:

Como você se definiria como treinador?
No começo, queria ganhar. Depois fui entendendo que o futebol precisa de outras coisas além de vencer jogos. Sou bem tranquilo, gosto de deixar os jogadores livres para usar suas ideias. Não concordo com a ideia de que você deve fazer seu time apenas tocar a bola. Muitos jovens, em fase de formação, recebem a bola, tem a ideia do que fazer em mente, mas ouvem gritos do treinador de “passa a bola! Passa a bola!”, isso os confunde. Quando treina um atleta, você deve explica-lo o melhor momento para tocar, o melhor momento para enfrentar o adversário, usar sua criatividade. Nunca bloqueá-lo!

Tem algum jogador que você sente um carinho especial por ter treinado?
Por aqueles que te cumprimentam e te dão o maior carinho do mundo, porque esses mostram que você fez uma diferença na vida deles. Não importa se o jogador fez sucesso na carreira, o que importa é que você fez seu trabalho e contribuiu para que ele faça o dele. Treinei alguns clubes profissionais, mas os jovens são os melhores para trabalhar. Os treinadores de divisões de base são como um professor: você instrui os atletas, explica da melhor maneira e os façam pôr em prática, assim, absorvendo o conteúdo. O carinho que recebo de quem aprendeu alguma coisa comigo os treinando é melhor que tudo.

Você acredita que jogadores de qualidade, como Andrés Cubas e Christian Pavón, ficarão por bastante tempo no Boca ou o mercado europeu os levarão rapidamente?
Nossa expectativa é que fiquem. Quando um jogador está na base, eles almejam o profissional. Quando alcançam, querem a seleção. Se nesse clube não conseguem, eles vão para outros. Hoje não tem tanto amor a camisa como tinha antigamente. Fora que a estrutura financeira que a Europa te proporciona é tentadora. Nós até queremos que eles fiquem, mas temos que respeitar sua escolha de sair para enriquecer e dar melhor padrão de vida para seus pais, irmãos ou filhos. Tudo é questão de respeitar e apoiar.

Como você vê esse trabalho que o Boca Juniors faz com a padronização do estilo de jogo?
Isso é muito bom, faz com que o atleta se desenvolva com disciplina, chegando ao profissional já sabendo familiarizado. Porém, acontecem casos de trocas contínuas de treinadores, onde cada um tem a sua filosofia de jogo e começam a destruir os padrões dos clubes. Isso confunde o atleta e faz o clube entrar em má fase, caindo na tabela. Os treinadores de hoje ganham três jogos e são gênios, perdem três e são ruins. Não é assim. Todos precisam de um ano de trabalho para realmente fazer o time funcionar como deseja. É muito mais complicado do que parece.

O que pensa sobre o futebol sul-americano atualmente?
Penso que tem muita qualidade. Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Colômbia são países que jogam um futebol bonito, com bons jogadores e que sempre entram como favoritos. 

Por que acha que a Argentina está em um mau momento com tantos bons jogadores?
Devida às transições de treinadores, não importa quantos jogadores bons você tem: ficar trocando de sistema requer novos ideais, o que é muito ruim. Somando isso ao pouco tempo para treinar, os jogadores ficam perdidos quanto à forma de jogar.

E como você avalia o Tite, treinador do Brasil?
Ele está indo muito bem. Padronizou o sistema de jogo e conseguiu fazer com que o Brasil parasse de jogar mal. Mas acredito que o Neymar está mudando a seleção brasileira. Ele ganhou as Olimpíadas, pelo ao menos, 80 por cento sozinho. Claro, existem jogadores de muita qualidade na seleção brasileira, mas o Neymar faz uma diferença muito grande.

Você acredita que um clube sul-americano possa derrubar um gigante europeu, por exemplo, na final do Mundial?
Claro! Eles podem ser os favoritos, mas é tudo questão de um jogo. Quando o Boca Juniors foi para o Japão jogar contra o Real Madrid, da Espanha, eles eram os favoritos. Chegamos lá, ganhamos por 2x1. Nós temos a vontade de ganhar esses jogos. Para eles, são apenas mais um. Lembro-me de uma história onde o zagueiro do Boca estava iniciando no profissional e foi para o Japão atuar contra o Real. A função dele era marcar os ataques pelas laterais e em um lance, entrou forte no adversário, que reclamou, pedindo para ele entrar mais leve, jogar com mais calma. Ele respondeu “essa partida é o jogo da minha vida!”. Essa é a diferença.
Não importa se você jogou bem ou jogou mal. No final, o que vale é o resultado!

Qual a principal diferença entre o futebol de antigamente com o de hoje?
Antigamente, os atletas tinham mais espaço e tempo para pensar. Hoje está muito veloz. Você toca na bola, não tem tempo de levantar a cabeça que já chega um e te rouba. Você tem que raciocinar muito rápido.

Quem foi melhor: Pelé ou Maradona?
A comparação é difícil (risos). Foram dois grandes jogadores, de altíssimo nível, que marcaram época. São os maiores até hoje!


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